Quem procura imóvel para comprar ou alugar ganhou uma ferramenta extra contra o golpe do falso proprietário. Desde a ampliação noticiada em 24 de outubro de 2026, a Pesquisa Nacional de Bens dos cartórios cobre mais de 3.600 Registros de Imóveis em todo o país e mostra em quais deles um CPF ou CNPJ aparece, segundo a Agência Brasil.
O golpe costuma seguir um roteiro conhecido: anúncio com preço abaixo do mercado, “dono” que mora longe ou tem pressa, e pedido de sinal ou caução por Pix antes da visita ou da assinatura. Checar no cartório quem é o proprietário de verdade derruba boa parte dessas armadilhas.
Como cruzar o anúncio com o registro do imóvel
- Peça os dados completos. Nome e CPF de quem se apresenta como dono e o endereço exato, com número do apartamento. Quem se recusa a informar já acende o alerta.
- Faça a pesquisa pelo CPF. No RI Digital, a Pesquisa Nacional de Bens indica em quais cartórios esse CPF consta. Se nenhum cartório da cidade do imóvel aparecer, algo não fecha.
- Peça a certidão da matrícula. Aparecer na busca não prova propriedade, porque a pessoa pode constar como fiadora ou ex-dona. A certidão mostra quem é o proprietário atual, se há penhora, hipoteca ou alienação fiduciária. Segundo o Registro de Imóveis do Brasil, ela passou a sair “quase em tempo real”.
- Compare nomes e endereço. O nome na matrícula precisa bater com o documento de quem negocia. Se for um procurador, exija a procuração pública e verifique-a no cartório que a emitiu.
Para usar, é preciso se cadastrar e validar a identidade na plataforma; cada consulta paga os emolumentos da tabela do estado. É um custo pequeno perto de um sinal perdido.
Sinais de anúncio falso antes mesmo da consulta
- preço muito abaixo dos imóveis parecidos no mesmo bairro;
- anunciante que diz estar viajando, morando fora ou “sem tempo” para mostrar o imóvel;
- pedido de depósito para “reservar” antes da visita;
- conta para pagamento em nome de terceiro, diferente do dono;
- fotos que aparecem em outros anúncios, com endereços diferentes (uma busca reversa de imagem ajuda);
- contrato enviado pronto por aplicativo de mensagem, sem dados do imóvel registrados.
Também desconfie de quem pede para fechar tudo por mensagem, sem encontro presencial nem visita ao imóvel. No golpe mais comum, o criminoso copia fotos de um anúncio verdadeiro, cria um novo com preço menor e some depois de receber o sinal. Há ainda a versão em que o golpista aluga o imóvel por temporada, com documentos falsos, e passa a “vendê-lo” ou “alugá-lo” para várias pessoas ao mesmo tempo, entregando cópias das chaves. A certidão da matrícula desmonta as duas fraudes: o nome do dono verdadeiro não vai bater com o de quem está negociando.
Em aluguel por temporada ou por imobiliária, peça o CRECI do corretor e confirme no site do conselho regional. Guarde prints de todas as conversas e anúncios desde o início; se algo der errado, eles serão a prova, como explicamos em Golpes online: como registrar provas antes que o conteúdo suma.

Pix de sinal antes de ver o imóvel: o passo que entrega o dinheiro ao golpista
Regra de ouro: nenhum pagamento antes de visitar o imóvel, ver a matrícula atualizada e conferir que quem recebe é o proprietário ou a imobiliária com contrato.
Em compra financiada, o banco faz sua própria análise da documentação, o que reduz o risco. O perigo maior está nas negociações diretas entre particulares e nos aluguéis informais, em que ninguém além de você checa os papéis. Nesses casos, pagar a vistoria de um advogado ou de um despachante especializado pode sair barato perto do valor envolvido.
O Pix cai na hora e é difícil de recuperar. Se você já pagou e desconfia de fraude, acione o seu banco imediatamente e peça a abertura do Mecanismo Especial de Devolução (MED), registre boletim de ocorrência e guarde comprovantes e conversas. Quanto mais rápido o pedido, maior a chance de o valor ainda estar bloqueável na conta de destino. Golpes que usam QR Code e boletos adulterados seguem lógica parecida; os cuidados estão em Boleto em casa com QR Code falso: como conferir antes de pagar.











