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Telhado voltado para leste ou oeste serve para energia solar?

Orientação, inclinação e sombra mudam a geração das placas, e a perda fora da face norte tem tamanho previsível.

Publicado em 5 min de leitura
Placas solares instaladas em telhado residencial de telhas
Nesta pauta6 tópicos
  1. Norte é a referência, não a única resposta
  2. Leste, oeste e sul lado a lado
  3. Quanto mais perto do Equador, menor o problema
  4. A inclinação perdoa mais do que parece
  5. Sombra pesa mais do que orientação
  6. Dividir as placas entre duas águas

Um telhado voltado para leste e oeste pode render mais economia do que um telhado perfeito para o norte. Parece heresia para quem ouviu a vida inteira que placa solar “tem que” olhar para o norte, mas a conta fecha em vários casos. O norte produz mais energia no total do dia. Só que, desde a Lei 14.300, o kWh consumido na hora vale mais do que o kWh exportado, e placas para leste e oeste espalham a geração pela manhã e pelo fim da tarde, quando muita casa está consumindo.

Isso não quer dizer que orientação não importa. Quer dizer que a decisão tem mais variáveis do que a bússola.

 

Norte é a referência, não a única resposta

No hemisfério sul, o sol passa o dia inclinado para o norte. Uma placa virada para lá recebe luz mais direta por mais tempo, e por isso todas as calculadoras e projetos usam o norte como base de comparação. Quando o seu telhado não aponta para essa direção, a pergunta certa não é “serve ou não serve”, e sim “quanto eu perco e quanto isso pesa no bolso”.

Resposta rápida: serve. Em boa parte do Brasil, telhados para leste ou oeste perdem alguns pontos percentuais de geração em relação ao norte, e a perda cresce com a inclinação e com a distância do Equador. Sombra costuma ser um problema bem maior do que orientação.

Antes de qualquer orçamento, dá para simular a geração no seu telhado e ver o sol passando pela casa ao longo do dia. A cena do enelim mostra o sol na posição real, hora a hora, conforme a cidade e a estação do ano.

 

Leste, oeste e sul lado a lado

Orientação Perda em relação ao norte Quando costuma valer a pena
Nordeste ou noroeste Pequena, em geral poucos pontos percentuais Quase sempre; muitos instaladores tratam como norte
Leste Moderada, maior em telhados inclinados Casas com consumo forte de manhã
Oeste Moderada, parecida com a do leste Casas com ar-condicionado ligado à tarde
Leste e oeste juntos Moderada no total, curva de geração mais larga Telhados de duas águas com cumeeira norte-sul
Sul A maior de todas, cresce bastante no Sul do país Só em telhados quase planos ou sem outra opção

Como usar a tabela no seu caso:

  1. Descubra para onde aponta cada água do telhado com a bússola do celular, em pé na rua, de frente para a casa.
  2. Veja se a casa gasta mais energia de manhã, à tarde ou à noite.
  3. Combine as duas respostas: consumo forte à tarde casa bem com placas para oeste, e o mesmo vale para manhã e leste.

Levantamentos do setor apontam perdas de até 25% para placas voltadas puramente para leste ou oeste, mas esse é o extremo, com inclinação alta e latitude elevada. Num telhado de fibrocimento pouco inclinado em Goiânia, a diferença para o norte é bem menor.

 

Quanto mais perto do Equador, menor o problema

Em Fortaleza ou Belém, o sol passa quase a pino durante boa parte do ano. Para uma placa pouco inclinada, tanto faz se ela olha um pouco para o leste ou para o oeste: a luz chega quase de cima. Em Porto Alegre ou Curitiba, o sol fica mais baixo no horizonte norte, especialmente no inverno, e desviar a placa dessa direção custa mais.

Placas solares instaladas sobre telhado de telha cerâmica vermelha
Em telhados de duas águas, cada lado pode receber parte das placas. Foto: Sergio Martins / Unsplash

 

Uma calculadora solar por cidade parte do sol medido no seu município, e não de uma média do país. É o primeiro filtro para saber se a orientação do seu telhado é um detalhe ou um fator decisivo. O Global Solar Atlas também permite clicar sobre o endereço e ver a geração esperada por kWp, inclusive com orientação e inclinação ajustáveis.

 

A inclinação perdoa mais do que parece

A inclinação ideal para geração anual fica perto da latitude do lugar: uns 23 graus em São Paulo, menos no Nordeste. Telhados residenciais raramente batem esse número, e tudo bem.

  • Telhado pouco inclinado (fibrocimento, metálico): torna a orientação menos importante, porque a placa fica quase deitada.
  • Telhado muito inclinado (cerâmica íngreme): amplia a diferença entre norte e as outras direções.
  • Placas quase planas: costuma-se evitar menos de 10 graus, porque a chuva não lava a sujeira e a água empoça na moldura.

As premissas sobre orientação do telhado de uma estimativa online quase sempre supõem a situação ideal. O enelim deixa isso claro: o cálculo parte de placas para o norte, com a inclinação certa e sem sombra, e avisa que leste, oeste e telhados pouco inclinados geram menos.

 

Sombra pesa mais do que orientação

Uma placa voltada para oeste perde alguns pontos percentuais. Uma placa com sombra de uma árvore às duas da tarde pode perder muito mais, e levar junto as vizinhas. Em sistemas com inversor de string, os módulos ficam ligados em série; quando um deles é sombreado, a corrente da fileira inteira tende a cair.

Casa com placas solares no telhado cercada por árvores
Árvores e construções vizinhas mudam a sombra conforme a estação. Foto: Watt A Lot / Unsplash

 

Antes de fechar o projeto, observe o telhado em três horários (9h, 12h e 15h) num dia de inverno, quando o sol está mais baixo e as sombras ficam mais longas. Caixa d’água, platibanda, antena e prédio vizinho entram na lista.

Entender o efeito da sombra na estimativa ajuda a ler qualquer simulação com o desconto certo: se o seu telhado tem sombra relevante, a geração real vai ficar abaixo do número da tela.

 

Dividir as placas entre duas águas

Quando o telhado tem um lado para leste e outro para oeste, a solução mais comum é usar os dois. Isso exige um cuidado técnico: as placas de cada lado recebem sol em horários diferentes e não devem ficar na mesma fileira em série.

 

Inversor com duas entradas independentes

Muitos inversores residenciais têm duas entradas com rastreamento independente do ponto de máxima potência, as chamadas MPPTs. Cada lado do telhado vai para uma entrada, e uma orientação não prejudica a outra. Pergunte ao instalador quantas entradas o inversor proposto tem.

 

Microinversores e otimizadores

Em telhados recortados, com várias orientações ou sombra parcial, microinversores (um por placa ou por par) e otimizadores tratam cada módulo de forma independente. Custam mais, mas evitam que um ponto fraco derrube o conjunto.

Quem gosta de ver a casa como um sistema único vai encontrar boas ideias no texto sobre como portão, câmera e painel solar podem trabalhar juntos. E a reportagem sobre a casa de energia quase zero mostra até onde dá para levar o projeto quando a orientação é pensada desde a planta.

A recomendação direta: não descarte o telhado leste-oeste antes de fazer a conta. Calcule a economia com placas no telhado como se ele fosse ideal, aplique uma margem conservadora para leste ou oeste (algo como 10% a 15% no Sudeste e no Sul, menos no Nordeste) e compare com a sua conta. Se o resultado continuar bom, peça ao instalador um projeto com inversor de duas entradas. Ferramentas como o enelim separam o cálculo de casa, comércio e campo desde o primeiro passo, e no enelim dá para refazer a simulação trocando a estação do ano para ver o sol mudar de lugar.

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