Quedas internaram 330 mil crianças: como deixar a casa mais segura

Por Casa em Pauta

22 de outubro de 2026

Quase 15 mil crianças com menos de 10 anos foram internadas no SUS por quedas apenas no primeiro semestre de 2026. O dado faz parte de um levantamento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) com registros hospitalares de 2016 a 2025, período em que as internações passaram de 330 mil, e foi destacado pela Agência Brasil em 21 de outubro de 2026.

A média é de 33 mil internações por ano, e o risco muda de lugar conforme a criança cresce: no bebê, é a cama e o trocador; na fase de 1 a 4 anos, a janela e a sacada; dos 5 aos 9, a árvore, o muro e a bicicleta.

 

Bebês de até 1 ano: cama, trocador e sofá

Foram 26,7 mil internações nessa faixa em dez anos, sendo 3,7 mil por queda da cama, segundo a SBP. O bebê começa a rolar antes de os pais perceberem que ele já consegue, e o primeiro giro costuma acontecer justamente em cima de uma superfície alta.

  • Nunca deixe o bebê sozinho em cama, trocador, sofá ou cadeira, nem para pegar a fralda no armário ao lado.
  • Monte o trocador com tudo ao alcance da mão antes de deitar a criança.
  • Para brincar, prefira o chão, num tapete em área protegida.
  • Evite o andador infantil, que a SBP desaconselha.
  • Na escada, desça com a mão livre no corrimão, e nunca peça para outra criança segurar o bebê.
Quarto de bebê com berço branco e poltrona clara
Berço com grade é o lugar seguro para deixar o bebê sozinho. Imagem ilustrativa. Foto: Franco Debartolo / Unsplash

 

De 1 a 4 anos: janelas, sacadas e beliches

Nessa idade a criança já escala, mas ainda não mede altura nem perigo. Foram 110,1 mil internações. A medida mais eficiente é física, porque supervisão sozinha falha no minuto em que alguém atende o interfone.

 

Tela de proteção em todas as janelas?

A SBP recomenda telas em janelas, sacadas e qualquer vão desprotegido. Em apartamento, isso vale também para janelas de banheiro e área de serviço, que costumam ser esquecidas. Afaste dessas aberturas camas, sofás, cadeiras e caixas de brinquedo que sirvam de degrau.

 

Beliche serve para essa idade?

A cama de cima exige cuidado redobrado. Se o beliche já existe, a criança pequena fica na parte de baixo, e a escada não deve virar brinquedo.

Banheiro molhado e borda de piscina também aparecem entre os pontos de risco. Tapete antiderrapante no box e porta fechada resolvem boa parte. Triciclo, patinete e patins só com equipamento de proteção, tamanho certo e longe da rua.

 

De 5 a 9 anos: árvores, muros e lajes

É a faixa com mais casos: 193,8 mil. A criança corre, sobe e pratica esportes enquanto o equilíbrio e a coordenação ainda estão em formação. A orientação passa a ser combinar regras e equipamento:

  • Capacete, joelheira, cotoveleira e munhequeira para bicicleta, patinete e skate.
  • Supervisão em árvores, muros, lajes e parques, que são os locais de maior risco.
  • Nada de celular ou tela enquanto anda, brinca ou se desloca, principalmente na rua.

 

Estados que concentram as internações

Estado Internações de menores de 10 anos (2016 a 2025)
São Paulo 71,7 mil
Minas Gerais 33,4 mil
Bahia 27,2 mil
Paraná 25,7 mil
Ceará 20,3 mil
Santa Catarina 16,9 mil
Rio Grande do Sul 16,6 mil

Os números absolutos acompanham, em boa parte, o tamanho da população de cada estado. Eles mostram onde há mais casos, não necessariamente onde o risco por criança é maior.

 

Por onde começar numa casa com criança pequena

Se o orçamento só permite uma mudança por vez, esta ordem ajuda a priorizar:

  1. Janelas e sacadas: tela de proteção instalada por profissional, inclusive em banheiro e área de serviço.
  2. Escadas: portão no topo e na base enquanto a criança não sobe e desce com firmeza.
  3. Quarto: berço com grade alta para o bebê e cama baixa ou com proteção lateral para quem já saiu do berço.
  4. Banheiro: tapete antiderrapante dentro e fora do box.
  5. Móveis: estantes e cômodas fixadas na parede, para não virarem escada nem tombarem.

Janelas e sacadas vêm primeiro porque são os pontos onde uma queda tem as consequências mais graves e onde a tela funciona sem depender de ninguém estar olhando. Outros detalhes que parecem inofensivos na rotina dos pequenos estão reunidos no texto sobre coisas que merecem atenção na rotina das crianças.

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