Quase 15 mil crianças com menos de 10 anos foram internadas no SUS por quedas apenas no primeiro semestre de 2026. O dado faz parte de um levantamento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) com registros hospitalares de 2016 a 2025, período em que as internações passaram de 330 mil, e foi destacado pela Agência Brasil em 21 de outubro de 2026.
A média é de 33 mil internações por ano, e o risco muda de lugar conforme a criança cresce: no bebê, é a cama e o trocador; na fase de 1 a 4 anos, a janela e a sacada; dos 5 aos 9, a árvore, o muro e a bicicleta.
Bebês de até 1 ano: cama, trocador e sofá
Foram 26,7 mil internações nessa faixa em dez anos, sendo 3,7 mil por queda da cama, segundo a SBP. O bebê começa a rolar antes de os pais perceberem que ele já consegue, e o primeiro giro costuma acontecer justamente em cima de uma superfície alta.
- Nunca deixe o bebê sozinho em cama, trocador, sofá ou cadeira, nem para pegar a fralda no armário ao lado.
- Monte o trocador com tudo ao alcance da mão antes de deitar a criança.
- Para brincar, prefira o chão, num tapete em área protegida.
- Evite o andador infantil, que a SBP desaconselha.
- Na escada, desça com a mão livre no corrimão, e nunca peça para outra criança segurar o bebê.

De 1 a 4 anos: janelas, sacadas e beliches
Nessa idade a criança já escala, mas ainda não mede altura nem perigo. Foram 110,1 mil internações. A medida mais eficiente é física, porque supervisão sozinha falha no minuto em que alguém atende o interfone.
Tela de proteção em todas as janelas?
A SBP recomenda telas em janelas, sacadas e qualquer vão desprotegido. Em apartamento, isso vale também para janelas de banheiro e área de serviço, que costumam ser esquecidas. Afaste dessas aberturas camas, sofás, cadeiras e caixas de brinquedo que sirvam de degrau.
Beliche serve para essa idade?
A cama de cima exige cuidado redobrado. Se o beliche já existe, a criança pequena fica na parte de baixo, e a escada não deve virar brinquedo.
Banheiro molhado e borda de piscina também aparecem entre os pontos de risco. Tapete antiderrapante no box e porta fechada resolvem boa parte. Triciclo, patinete e patins só com equipamento de proteção, tamanho certo e longe da rua.
De 5 a 9 anos: árvores, muros e lajes
É a faixa com mais casos: 193,8 mil. A criança corre, sobe e pratica esportes enquanto o equilíbrio e a coordenação ainda estão em formação. A orientação passa a ser combinar regras e equipamento:
- Capacete, joelheira, cotoveleira e munhequeira para bicicleta, patinete e skate.
- Supervisão em árvores, muros, lajes e parques, que são os locais de maior risco.
- Nada de celular ou tela enquanto anda, brinca ou se desloca, principalmente na rua.
Estados que concentram as internações
| Estado | Internações de menores de 10 anos (2016 a 2025) |
|---|---|
| São Paulo | 71,7 mil |
| Minas Gerais | 33,4 mil |
| Bahia | 27,2 mil |
| Paraná | 25,7 mil |
| Ceará | 20,3 mil |
| Santa Catarina | 16,9 mil |
| Rio Grande do Sul | 16,6 mil |
Os números absolutos acompanham, em boa parte, o tamanho da população de cada estado. Eles mostram onde há mais casos, não necessariamente onde o risco por criança é maior.
Por onde começar numa casa com criança pequena
Se o orçamento só permite uma mudança por vez, esta ordem ajuda a priorizar:
- Janelas e sacadas: tela de proteção instalada por profissional, inclusive em banheiro e área de serviço.
- Escadas: portão no topo e na base enquanto a criança não sobe e desce com firmeza.
- Quarto: berço com grade alta para o bebê e cama baixa ou com proteção lateral para quem já saiu do berço.
- Banheiro: tapete antiderrapante dentro e fora do box.
- Móveis: estantes e cômodas fixadas na parede, para não virarem escada nem tombarem.
Janelas e sacadas vêm primeiro porque são os pontos onde uma queda tem as consequências mais graves e onde a tela funciona sem depender de ninguém estar olhando. Outros detalhes que parecem inofensivos na rotina dos pequenos estão reunidos no texto sobre coisas que merecem atenção na rotina das crianças.











