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Cólica renal em casa: o que fazer até receber atendimento?

Entenda os sintomas da cólica renal, os sinais de urgência e os cuidados que podem ser adotados antes da avaliação médica.

Publicado em 5 min de leitura
Copo de água sobre mesa iluminada pelo sol
Nesta pauta8 tópicos
  1. Cólica renal ou outra dor nas costas?
  2. Dor forte que vai e volta: cálculo descendo
  3. Dor com febre: obstrução com infecção
  4. Pouca ou nenhuma urina: bloqueio que pede pressa
  5. Vômito que não para: risco de desidratação
  6. Dor que cede: a fase de espera em casa
  7. Crises que se repetem: hora de investigar a causa
  8. Pedra que não sai: quando a cirurgia entra

Em casa, durante uma crise de cólica renal, dá para fazer pouco, e o mais importante desse pouco é saber quando parar de esperar. Dor forte em cólica nas costas ou na lateral do abdome, que irradia para a virilha e não deixa a pessoa achar posição, é o quadro típico de um cálculo descendo pelo ureter. Na maioria das vezes não é perigoso. Em algumas situações, é urgência.

O que fazer agora: se houver febre, calafrios, vômitos que não param, ausência de urina, rim único ou gravidez, vá ao pronto-socorro ou ligue 192. Sem esses sinais, mantenha hidratação normal, use calor local, tome apenas analgésicos já orientados por um médico e procure atendimento se a dor não ceder.

 

Cólica renal ou outra dor nas costas?

Característica Cólica renal Dor muscular
Início Súbito, muitas vezes de madrugada Após esforço ou má postura
Posição Nenhuma alivia Ficar parado melhora
Irradiação Para a virilha, testículo ou grande lábio Fica nas costas ou desce pela coxa
Sintomas junto Náusea, sangue na urina Rigidez, dor ao apertar o músculo

Apendicite, problemas de ovário e, em idosos, doenças da aorta podem imitar a cólica. Quem nunca teve cálculo e sente essa dor pela primeira vez deve ser examinado.

 

Dor forte que vai e volta: cálculo descendo

A cólica renal acontece quando uma pedra entra no ureter, o canal estreito entre rim e bexiga, e bloqueia a passagem da urina. O rim continua produzindo urina, a pressão sobe atrás da obstrução e a parede do ureter se contrai em espasmos. Daí o padrão em ondas: a dor aperta, alivia um pouco, aperta de novo.

É uma das dores mais intensas que existem, e não tem relação direta com o tamanho da pedra. Um cálculo de poucos milímetros pode doer tanto quanto um maior.

 

O que costuma acompanhar a dor

  • náusea e vômito, por reflexo da dor;
  • sangue na urina, às vezes visível, às vezes só no exame;
  • vontade frequente de urinar quando a pedra se aproxima da bexiga;
  • agitação: a pessoa anda, senta, deita, e nada alivia.

Esse último detalhe ajuda a diferenciar de dor muscular, que costuma melhorar quando a pessoa fica parada.

Copo de água sobre mesa de madeira em ambiente interno
Hidratação normal ajuda; forçar litros de água durante a crise, não. Foto: Cottonbro / Pexels

 

Dor com febre: obstrução com infecção

Esse é o cenário que não admite espera em casa. Quando a urina parada atrás da pedra infecta, a bactéria pode chegar ao sangue. Febre, calafrios e mal-estar geral junto com a dor lombar significam que o rim precisa ser desobstruído com urgência, geralmente com um cateter colocado por endoscopia ou uma drenagem.

Antibiótico sozinho não resolve, porque a infecção está presa atrás do cálculo. Não espere a febre baixar para decidir.

 

Pouca ou nenhuma urina: bloqueio que pede pressa

Quem tem um rim só, ou tem pedras nos dois lados, pode parar de urinar se a obstrução for completa. Sem urina por várias horas, com dor, é urgência. O mesmo vale para quem já tem doença renal conhecida.

Gestantes com dor desse tipo também devem ser avaliadas no pronto atendimento, porque os exames e os remédios mudam na gravidez.

 

Vômito que não para: risco de desidratação

Vomitar uma ou duas vezes na crise é comum. Vomitar sem parar impede de tomar líquido e remédio por via oral, e a desidratação piora a dor e a função do rim. Nesse caso, a medicação na veia, no pronto-socorro, resolve mais rápido do que qualquer tentativa em casa.

O SAMU 192 pode orientar por telefone sobre ir ou não ao hospital e enviar atendimento quando necessário.

Socorrista com luvas e estetoscópio fazendo anotações dentro de ambulância
Febre junto com dor lombar forte é motivo para atendimento imediato, não para esperar em casa. Foto: Mikhail Nilov / Pexels

 

Dor que cede: a fase de espera em casa

Sem sinais de alarme, a conduta muitas vezes é aguardar a pedra sair, com acompanhamento médico. Cálculos pequenos, de até uns 5 milímetros, costumam ser eliminados sozinhos em dias ou poucas semanas. Enquanto isso:

  1. Beba água normalmente, o suficiente para manter a urina clara. Tomar litros de uma vez durante a crise não empurra a pedra e pode aumentar a distensão do rim e a dor.
  2. Use calor local, como bolsa de água morna na região lombar. Muita gente relata alívio.
  3. Tome só o que um médico orientou. Anti-inflamatórios são usados na cólica, mas têm contraindicações para quem tem problema renal, gástrico ou usa outros remédios. Automedicação aqui é aposta.
  4. Coe a urina com uma peneira fina ou gaze. Se a pedra sair, guarde num pote seco e leve ao médico.

O passo 4 é o que quase ninguém faz e o que mais ajuda depois. A análise química do cálculo diz de que ele é feito, e a prevenção muda conforme o tipo.

Nos dias quentes, a perda de líquido pelo suor aumenta e a urina concentra, o que favorece novos cálculos. Manter a casa fresca ajuda até nisso, como mostra o texto sobre deixar a casa mais fresca sem ar-condicionado.

 

Crises que se repetem: hora de investigar a causa

Metade das pessoas que têm cálculo volta a ter em alguns anos. Quem já teve duas crises deveria investigar por quê: exames de sangue, urina de 24 horas e análise da pedra mostram se há excesso de cálcio, oxalato, ácido úrico ou pouca urina.

Os sintomas de pedra nos rins nem sempre são a cólica clássica. Há pedras que ficam paradas dentro do rim por anos sem dor e são achadas num ultrassom de rotina. Elas também merecem avaliação, porque podem crescer ou migrar.

O Dr. Leonardo Borges, urologista que atua no diagnóstico e tratamento de cálculos renais, apresenta aos pacientes opções clínicas e cirúrgicas conforme o tipo e o tamanho da pedra. Com acompanhamento, o tratamento de pedras nos rins pode ser só mudança de hábitos e medicação, sem cirurgia.

 

Pedra que não sai: quando a cirurgia entra

Se o cálculo é grande, não progride em algumas semanas, causa dor que volta sempre ou obstrução persistente, a remoção é indicada. Hoje ela quase sempre é feita sem cortes, por endoscopia.

A cirurgia endoscópica para cálculo renal usa um aparelho fino que entra pela uretra até a pedra. Nessa técnica, Leonardo Borges utiliza métodos endoscópicos para os cálculos com indicação cirúrgica, e o tratamento de cálculo renal a laser quebra a pedra em pedaços pequenos ou em pó.

Depois da primeira crise, marque consulta com um urologista especializado em cálculos renais mesmo que a dor tenha passado. Leve os exames do pronto-socorro e, se conseguiu, a pedra. O consultório de Leonardo Borges fica no Einstein do Morumbi, em São Paulo, e a consulta pós-crise é justamente o momento de planejar para que não haja uma próxima.

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